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- “A Última Floresta” confronta público com impacto dos incêndios florestais
Instalação imersiva transforma espaço público em experiência sensorial e pedagógica sobre o impacto do fogo
“É importante que as pessoas passem aqui, que se afrontem, que vejam, que sintam e, sobretudo, que isto nos leve a uma reflexão e, quem nos dera, a uma alteração nos nossos comportamentos”. O apelo foi deixado por Jorge Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Águeda, na inauguração da exposição imersiva “A Última Floresta”, que decorreu na passada sexta-feira, no Largo Dr. António Breda.
“A esmagadora maioria dos fogos florestais nasce por ação humana”, lembrou Jorge Almeida, acrescentando que, na maior parte dos casos, não se trata de atos criminosos, mas de “falta de cuidado, desleixo e alguma insensibilidade”.
A iniciativa pretende precisamente sensibilizar a população para os impactos dos incêndios florestais, “confrontar as pessoas com uma escolha que tem de ser nossa” e para a necessidade de uma mudança de atitudes, numa altura em que Portugal continua a ser um dos países europeus mais afetados por este fenómeno.
O Presidente da Câmara de Águeda recordou ainda a tragédia de Castanheira de Vouga, que assinala 40 anos no próximo dia 14 de junho, sublinhando que o concelho continua marcado por esse episódio. “Águeda está marcada na pele por essa catástrofe. Não podemos esquecer o que aconteceu”, disse, salientando que esta exposição estará, por isso, patente ao público até dia 14 e integrada nas comemorações, funcionando como ponto de passagem e de evocação.
A arte como agente de sensibilização
Durante a inauguração, Edson Santos, Vice-Presidente da Câmara de Águeda, destacou que esta iniciativa se insere numa estratégia mais ampla de intervenção artística no espaço público, que o Município tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos. Projetos como o AgitÁgueda ou as instalações de arte urbanas, como os guarda-chuvas coloridos, demonstram como a arte pode ser uma ferramenta de sensibilização pública, mobilizar pessoas e gerar discussão de ideias.
“Aquilo que pretendemos com estas instalações é que se fale de um problema que, muitas vezes, só ganha visibilidade quando acontece”, disse.
Para além da componente artística, a exposição assume também um caráter de homenagem. Edson Santos destacou o papel dos bombeiros, das forças de segurança e de todos os que contribuem para o combate aos incêndios e proteção da floresta.
A localização da exposição, junto a um estabelecimento de ensino, foi intencional, por se tratar de um espaço associado à educação e à sensibilização, onde a mensagem é mais facilmente compreendida, sobretudo pelas gerações mais jovens.
O objetivo passa por envolver os mais jovens numa experiência sensorial direta, permitindo-lhes compreender o impacto dos incêndios. “Queremos trazer todas as escolas aqui, para perceberem o que é estar numa floresta queimada”, explicou Edson Santos, referindo o contacto com os cheiros e a atmosfera como elementos fundamentais dessa perceção.
95 árvores queimadas
A instalação, desenvolvida pela The Happiness Factory, reúne 95 árvores reais destruídas por incêndios em Portugal, entre eucaliptos, pinheiros, carvalhos e castanheiros, e propõe um percurso de visita gratuito e de livre circulação. A experiência integra elementos sensoriais como calor, vento e aromas, recriando o ambiente de um cenário pós-incêndio, e inclui QR codes que permitem aos visitantes aceder a conteúdos digitais associados a cada árvore.
Ao fazer o percurso, a população é convidada a sentir uma atmosfera de imersão total, sentindo os cheiros e o calor de uma "floresta" queimada, provocando uma vivência envolvente e educativa.
Para João Soares, da entidade promotora, a exposição ganha particular relevância em Portugal, “um dos países europeus mais afetados por incêndios florestais”, sendo o objetivo aproximar o público da realidade vivida no terreno por operacionais e populações.
Também Nuno Ferreira, Adjunto dos Bombeiros Voluntários de Águeda, alertou para a responsabilidade individual na prevenção, lembrando que muitos incêndios resultam de comportamentos negligentes no quotidiano, com consequências significativas para o território e para a biodiversidade.
Refira-se que a sessão inaugural da exposição contou ainda com a presente do vereador Vasco Oliveira, além de representantes de várias entidades, incluindo Juntas de Freguesia, GNR, Bombeiros Voluntários de Águeda, Unidades Locais de Proteção Civil e Cruz Vermelha, evidenciando o envolvimento institucional e comunitário no projeto.
Um dos momentos da inauguração foi protagonizado por crianças do Bela Vista – Centro de Educação Integrada, que participaram na visita ao espaço e contactaram diretamente com as árvores afetadas, numa abordagem sensorial à temática.
No final do percurso, os visitantes são convidados a olhar para o futuro, junto de uma “árvore viva” — o carvalho da esperança — símbolo de resiliência e renovação, bem como a integrar um futuro projeto de reflorestação com espécies autóctones.
Mais informações e marcação de visitas guiadas (disponíveis todos os dias) através de: dv-as@cm-agueda.pt
