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Sítio do Rio Vouga – PTCON0026

Este Sítio de Interesse Comunitário (SIC) / Zona Especial de Conservação (ZEC) abrange mais de 2.700 ha. e encontra-se maioritariamente localizada no concelho de Águeda (freguesias de Macinhata do Vouga, Lamas do Vouga, Trofa do Vouga e Segadães), estendendo-se também pelos concelhos de Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga.


Esta ZEC foi demarcada considerando o traçado do curso e a envolvente do Rio Vouga. O território atravessado é dominado por solos de origem antiga: solos arcaicos e pré-câmbricos e por depósitos sedimentários, marinhos e aluviais mais recentes, datados do Mesozóico e Cenozóico no interior e Quaternário na zona litoral.


Neste Sítio ocorrem diversos habitats listados no anexo B-I da Diretiva Habitats, destacando-se a presença de núcleos de florestas sub-higrófila de freixos, carvalho-alvarinho e ulmeiros (habitat 91F0 anexo B-I da Diretiva Habitats), que ocupam depressões de terrenos húmidos e só ocasionalmente inundados. Em mosaico com estas floresta e em zonas mais húmidas ao longo do rio Vouga, ocorrem formações enquadráveis nas florestas ripícolas com freixos e amieiros (habitat 91E0* - Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Padion, Alnion incanae, Salixion albae) anexo B-I da Diretiva Habitats), habitats prioritários e com elevado valor conservacionista, dada a raridade da ocorrência de povoamentos estruturados e de dimensões suficientemente dilatadas para permitir a sua preservação e expansão, quer a nível nacional quer europeu. Numa área mais afastada do curso de água, normalmente correspondendo a cotas de altitude mais elevada, ocorrem formações florestais mesófilas (habitats 9230 – Carvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus pyrenaica e 9330 – Florestas de Quercus suber anexo B-I da Diretiva Habitats) e charnecas (habitat 4030 – Charnecas secas europeias, do anexo B-I da Diretiva Habitats).


O rio Vouga tem elevada importância a nível da conservação de populações de espécies piscícolas migradoras, que dele dependem para a sua alimentação e reprodução. A nível faunístico destaca-se a lampreia-de-riacho, espécie de ocorrência rara e confirmada neste sítio e a salamandra-lusitânica, pequeno anfíbio endémico do noroeste da península Ibérica que pela sua sensibilidade é bioindicador de locais com baixos níveis de poluição.


Flora e fauna


O Sítio de Interesse Comunitário Rio Vouga (PTCON0026) é considerado um refúgio de biodiversidade, principalmente no respeitante à fauna, no entanto ocorrem também espécies da flora de relevância no panorama conservacionista.


No respeitante à riqueza florística deste Sítio, salientamos espécies da flora com estatuto legal de proteção reconhecido. Neste particular o Ruscus aculeatus (gilbardeira), espécie de ocorrência relativamente frequente, associada a diversas formações florestais ou arbustivas, se encontra listada no anexo B-V da Diretiva Habitats, estando por conseguinte a sua colheita sujeita a gestão. Outras espécies florísticas, com interesse biológico pela sua raridade, podem ocorrer (sobretudo no seio de habitats bem conservados). A sua presença não foi, no entanto, referida para esta área protegida, tal como por exemplo: Sedum anglicum subsp. pyrenaicum, S. pruinatum (associados aos Habitats 8230), Lilium martagon, Eryngium duriaei, Platanthera bifolia, Laserpitium eliasii subsp. thalictrifolium, Anemone trifolia subsp. Albida (associados aos Habitats 9230).

O Sítio do Rio Vouga destaca-se no seu contributo como refúgio de diversidade biológica pela ocorrência de várias espécies de peixes, anfíbios, repteis e mamíferos, com estatuto de proteção internacional.
O Sável (Alosa alosa), a Savelha (Alosa fallax), a Boga (Chondrostoma polylepis), o Bordalo (Rutilus alburnoides), o Ruivaco (Rutilus macrolepidotus), a Lampreia (Petromyzon marinus) e a Lampreia-de-rio (Lampetra planeri) são espécies piscícolas migratórias constantes no anexo B-II da Diretiva Habitats. A Lampreia planeri foi confirmada em somente quatro sítios a nível nacional, entre os quais se conta o Sítio Rio Vouga.
Na envolvente às zonas húmidas podem surgir mamíferos com elevado estatuto legal de proteção tal como a lontra (Lutra lutra) ou a toupeira-de-água, (Galemys pyrenaica) constantes, respetivamente, no anexo B-II e IV da Diretiva Habitats e no anexo II da Convenção de Berna.
Também constantes no anexo B-II e IV da Diretiva Habitats e no anexo II da Convenção de Berna se encontram a Salamandra-lusitânica (Chiglossa lusitanica) e o Lagarto-de-água (Lacerta schreiberi).
Uma espécie de mexilhão-de-rio, Unio crassus, constante no anexo B-II da Diretiva Habitats, foi referenciada neste Sítio.
Podemos encontrar nas zonas húmidas do Sítio populações de espécies listadas no anexo B-IV da Diretiva Habitats, tal como Rã-ibérica (Rana iberica), Sapo-parteiro (Alytes obstetricans), o Tritão-marmoteado (Triturus marmoratus), e o molusco Unio elongatulus.
Diversas espécies faunísticas com interesse do ponto de vista da Conservação da Natureza têm ocorrência potencial não só neste Sítio, mas noutras Zonas do concelho com caraterísticas biofísicas semelhantes, onde podem ser observados.