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- Os Serranos e o GFER ensaiam para o espetáculo “A Viagem”
O próximo espetáculo das Sextas Culturais, “A Viagem”, peça da coreógrafa Filipa Francisco, que vai decorrer no dia 13 de fevereiro, já está a ser preparado com ensaios diários desde o dia 31 de janeiro. Os ensaios estão a decorrer nas novas instalações da Incubadora Cultural, no Parque da Alta Vila.
“A Viagem” será protagonizada pela Associação Etnográfica Os Serranos e pelo Grupo Folclórico e Etnográfico de Recardães (GFER), que iniciaram os ensaios no dia 31 de janeiro e vão, até ao dia da peça, ter ensaios diários de preparação de um espetáculo que se prevê imprevisível e, ao mesmo tempo, de grande qualidade técnica, uma vez que os folcloristas vão ser “chamados” a dançar a propalada dança contemporânea, numa mistura de saberes e técnicas que vão dar um resultado final de grande talento.
A HISTÓRIA DE “A VIAGEM”
A Viagem problematiza o modo como as manifestações populares aderem e procuram a modernidade, originando novos significados, permitindo nova apropriação e novo entendimento do seu papel nos dias hoje.
Na primavera de 2009, a convite do Festival de Dança Contemporânea de Ramallah, Filipa Francisco conhece a Companhia de Dança Tradicional e Contemporânea El-Funoun. Desta experiência nasce a consciência de que a dança tradicional não tem como fatalidade permanecer à margem da modernidade (nem tão pouco a modernização passa pela anulação das tradições). Sendo uma prática atual, obedece a regras e conjuga outras práticas e processos sociais.
Ao viajar com o grupo pela Palestina, ao assistir aos seus espetáculos em pequenas aldeias, apercebi-me do poder da dança tradicional. Esta dança toca questões tão atuais como entidade, género e liberdade. O acto de Dançar para estes jovens era na verdade um grito de liberdade. Uma forma de se libertarem das memórias duras da guerra.
Desta experiência nasce a consciência de que a dança tradicional não tem como fatalidade permanecer à margem da modernidade (nem tão pouco a modernização passa pela anulação das tradições). Sendo uma prática atual, obedece a regras e conjuga outras práticas e processos sociais. É pois neste sentido que o presente projeto ganha particular relevância. As danças tradicionais encontram-se patentes no imaginário coletivo como expressão de tradições populares regionais, associando-as à arte popular. Detêm relevante e inquestionável importância no que toca à cultura dos povos, pela riqueza que encerram no domínio dos costumes e tradições transmitidos de geração em geração, por via das canções, movimentos e trajares.
Confrontando esta herança viva com percursos na música e na dança contemporânea, Filipa Francisco aprofunda a sua reflexão em torno da função social e política da arte, deslocando mais uma vez o seu trabalho artístico para espaços e linguagens que aumentam as possibilidades de encontro com o público.
Em cada localidade onde se apresenta, Filipa Francisco procede à investigação sobre as danças tradicionais locais. Criada com ‘os Camponeses’ do rancho folclórico de Riachos (2011), “A Viagem” sintetiza a verdade das fronteiras culturais do país e ensaia cruzá-las, negociando convenções artísticas, para produzir algo novo.
Este será, portanto, um espetáculo a não perder.
Os bilhetes estão à venda nas piscinas municipais, na Biblioteca Municipal Manuel Alegre, no cine-teatro S. Pedro e o GFER possibilita a compra dos ingressos na sede da Junta de Freguesia em Recardães e na secretaria do Centro Social e Paroquial de Recardães.
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