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- António Chaínho e convidados nas sextas-culturais
A próxima Sexta Cultural realiza-se no dia 13 de novembro e terá em palco o Mestre António Chaínho com os seus convidados Filipa Pais e Paulo de Carvalho.
A não perder!
As Sextas Culturais estão de volta no mês de novembro. O Cine-Teatro S. Pedro prepara-se para receber, a 13 de novembro, às 22 horas, uma das grandes referências musicais de Portugal: trata-se do Mestre António Chaínho, que atua pela primeira vez no concelho de Águeda.
António Chaínho é conhecido por ser um excelente praticante da guitarra portuguesa e, nas Sextas Culturais, terá a oportunidade de brindar o público com a execução dos temas mais conhecidos, alguns dos quais da sua autoria.
Para esta deslocação a Águeda, o Mestre da guitarra trará consigo Filipa Pais e o conhecido Paulo de Carvalho, que, assim, regressa a um palco onde já atuou.
Os bilhetes estão à venda até um dia antes do espetáculo na Biblioteca Manuel Alegre, nas Piscinas Municipais e no cine-teatro S. Pedro, pelo preço de cinco euros. No dia do concerto, pode comprar o seu ingresso no cine-teatro, mas pelo valor de oito euros.
Um pouco de história de António Chaínho
Quando saiu da tropa, estava decidido que o seu destino seria a guitarra portuguesa. Corriam os anos sessenta e António Chainho, alentejano e no vigor dos vinte anos, logo demonstrou o seu virtuosismo nas doze cordas. Para trás ficava o café dos pais, em São Francisco da Serra (Santiago do Cacém), onde, aos oito anos, se tinha iniciado nas lides. O pai manejava a guitarra, pousada sobre a mesa de bilhar e sempre à disposição, com destreza; e o filho, aos treze anos, já se apresentava em público. Numa partida de futebol, em 1946.
Inspirado em mestres como Armandinho, estreia-se na casa de fados A Severa, em meados dos anos sessenta, a que se seguiram actuações n’O Faia, n’O Folclore e no Picadeiro, de que aliás seria proprietário e onde foi dando azo ao seu amor pela guitarra portuguesa, acabando por formar o seu próprio conjunto de guitarras. Mas é quando acompanha Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo, Carlos do Carmo, Francisco José, Tony de Matos, António Mourão, Frei Hermano da Câmara ou Hermínia Silva que Mestre Chainho começa a deixar marcas na história da guitarra portuguesa. Ela seria a sua noiva para o resto da vida. E, desde aí, não se cansou de a mostrar ao resto do mundo.
Em 1962, durante a gravação de um programa de rádio.
Na década de 1960 grava o seu primeiro disco, o LP “Solos de Chainho”, para a já extinta editora Rapsódia, seguindo-se mais três discos no mesmo formato para outras companhias discográficas.
O orgulho na sonoridade da guitarra portuguesa levou-o no entanto a inverter posições. E se o protagonismo de um recital não pertencer tanto à voz como ao dedilhar de uma guitarra? Porque não hão-de os holofotes incidir no canto de um dos mais brilhantes instrumentos portugueses? As guitarras não têm que gemer sempre baixinho e António Chainho assume por isso o risco de enveredar por uma carreira a solo. Com a modéstia que é reconhecida aos grandes, chama os maiores artistas para cantar consigo, confirmando que a sua missão é levar pelos quatro cantos do mundo a sua amada.
Actua então em recitais por todo o mundo: a solo ou dividindo o palco. Chaínho foi convidado para acompanhar as maiores vozes contemporâneas. O cantor lírico José Carreras não dispensa a sua colaboração num concerto no Pavilhão Atlântico; Adriana Calcanhotto chamou-o para junto de si numa das suas digressões em Portugal e Maria Bethânia convida-o para se apresentar em espetáculos no Rio de Janeiro e São Paulo. No Brasil, em Itália, ou no Japão, António Chaínho insiste em divulgar a guitarra portuguesa. Em Portugal é o mentor de um projecto que acalentou durante doze anos: a Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa e hoje é respeitado como um renovador da tradição que outros lhe deixaram.
De há uns anos a esta parte tem sido acompanhado, à viola, por Fernando Alvim - habitual parceiro de mestre Carlos Paredes para quem construiu os arranjos da maioria do seu reportório.
Mas foi a criação da escola de Guitarra Portuguesa em Santiago do Cacém, sua terra natal, que lhe deu um especial orgulho, pois permite-lhe ensinar esta arte que tanto gosta.
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