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- Ambiente :: Pateira de Fermentelos classificada como Zona Húmida de Importância Internacional
A Pateira de Fermentelos, considerada a maior lagoa natural da Península Ibérica, foi classificada como Zona Húmida de Importância (...)
A Pateira de Fermentelos, considerada a maior lagoa natural da Península Ibérica, foi classificada como Zona Húmida de Importância Internacional pelo Comissariado Internacional da Convenção de Ramsar.
A classificação foi formalmente anunciada a 1 de fevereiro passado em conferência de imprensa pelo Presidente da Câmara de Águeda, Gil Nadais, e pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), representado por João Carlos Farinha. O Município de Águeda foi promotor da candidatura, que abrange ainda o vale do rio Cértima, a montante da Pateira, e as várzeas do rio Águeda que com ela comunicam. No que diz respeito ao Concelho de Águeda a área classificada abrange as freguesias de Espinhel, Óis da Ribeira, Fermentelos, Travassô, Barrô e Aguada de Baixo.
Gil Nadais referiu que ”esta classificação pode ajudar à dinamização da Pateira e de toda a região”, sendo “um prestígio para qualquer região ter património natural que tenha esse selo, já que são mais pessoas e mais turistas a visitarem”. O autarca reconhece todavia que “temos de estar mais atentos em relação às intervenções que fazemos em toda a zona húmida agora classificada”.
A candidatura foi promovida pela Câmara de Águeda, no âmbito do programa que tem vindo a desenvolver de requalificação e recuperação da Pateira, em colaboração com os municípios de Aveiro e Oliveira do Bairro, que a Pateira também abrange.
A proposta foi submetida ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas que, após validar a candidatura, a submeteu ao comissariado internacional da Convenção de Ramsar.
Na oportunidade, João Carlos Farinha, do ICNF, que colaborou no processo de preparação da candidatura à Convenção de Ramsar, referiu que “a convenção é um carimbo importante para a área classificada”, mas que o mesmo coloca responsabilidades para o futuro.
Segundo a bióloga da Autarquia Aguedense Célia Laranjeira, houve "todo um trabalho preparatório de recolha de documentação e estudos que existem sobre a Pateira e a área envolvente", quer feitos pelo Instituto de Conservação devido à rede Natura 2000, quer de natureza académica feitos pelas universidades de Aveiro e Coimbra, bem como levantamentos realizados pela própria Câmara.
Desde 2006 que a Câmara de Águeda tem em curso o programa de requalificação da Pateira, removendo as infestantes exóticas, nomeadamente os jacintos-de-água e assegurando a limpeza do espelho de água e da zona envolvente com recurso à ceifeira-aquática Pato Bravo, nome dado por crianças das escolas do Concelho de Águeda.
Segundo o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, a Pateira de Fermentelos, com 1,559 hectares, integra a rede Natura 2000 e, juntamente com as várzeas dos rios Águeda e Cértima, periodicamente inundadas, constitui uma área ambientalmente sensível, com importantes mosaicos de habitats e ecossistemas associados de vegetação natural, sapal, paul, áreas agrícolas, entre outros.
Tem potencialidades particulares únicas em termos de refúgio, alimentação e reprodução para várias espécies da fauna, e avifauna em particular, e as várias espécies da flora e da fauna com estatutos de proteção que ocorrem "justificariam, por si só, a inclusão da Pateira e demais áreas limítrofes na rede de Zonas Húmidas de Importância Internacional Ramsar".
A Convenção sobre Zonas Húmidas constitui um tratado intergovernamental adotado em 2 de fevereiro de 1971 na cidade iraniana de Ramsar e foi o primeiro dos tratados globais sobre conservação, contando atualmente com 164 países contratantes, em todos os continentes. Portugal ratificou a Convenção Ramsar em 1980.
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