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Cultura :: Águeda ao ritmo da 4.ª edição Pauta Jazz

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14 Maio 2018

A 30 de abril assinalou-se o “Dia Internacional do Jazz” e Águeda juntou-se às comemorações internacionais com o evento “Pauta Jazz” que visou relembrar a importância deste estilo musical e o seu contributo na promoção de diferentes culturas e povos ao longo da história.

O Pauta Jazz, iniciativa da Pauta Humana e da Câmara Municipal de Águeda, este ano integrado na Programação Cultural em Rede da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, decorreu de 29 de abril a 5 de maio. O Centro de Artes de Águeda (CAA) foi um ponto de encontro de músicos interessados em novos contextos de improvisação musical, na música Jazz e na música moderna, procurando relacionar músicos e novas expressões com o público através da apresentação de concertos de Jazz e Música Moderna, garantindo, assim, lugar para a continuidade de um pensamento performativo livre e inovador e uma renovada oferta cultural.

A arrancar o evento, a 30 de abril, no Café Concerto do CAA, subiu ao palco o Septeto do Hot Club de Portugal. O grupo composto por músicos de créditos firmados no panorama do Jazz Português já atuou um pouco por todo o país e pelo mundo: AngraJazz, Fozjazz, Hot Club, Teatro Municipal da Madeira, Luanda, Festival Jazz Valado, Festival Jazz Lagos, entre outros. No dia seguinte, no mesmo local, apresentaram uma masterclass sobre a história do Jazz, os vários estilos e épocas, as especificidades de cada instrumento e as várias facetas dos septetos ao longo dos anos.

A 5 de maio, sábado, no Auditório do CAA, a “Orquestra Jazz Águeda” produziu um concerto com o cantor e contrabaixista Miguel Calhaz, num incrível tributo à obra de José Afonso, com arranjos do compositor Vasco Miranda. Uma apresentação onde a energia e a criatividade se misturaram com a sensibilidade e a força emotiva das canções de um dos maiores nomes da música em Portugal. Inspirada na tradição do Jazz, a “Orquestra Jazz Águeda “, é um projeto criado pela Pauta Humana e a Câmara Municipal de Águeda, em 2016, e constitui-se como um laboratório para a produção de música e um pólo de dinâmica criativa e cultural no panorama da produção de música em Portugal.

A programação onde o Jazz é rei contou também com a exibição do filme “Melodias de Jango” no domingo, 29 de abril, no Auditório do CAA. O primeiro filme realizado por Etienne Comar - argumentista de “Dos Homens e dos Deuses” -, é dedicado ao lendário guitarrista de jazz Django Reinhardt e retrata toda a sua versatilidade, paixão e fuga da Paris ocupada pelo regime nazi (em 1943). Django Reinhardt, interpretado por Reda Kateb, foi o mais brilhante pioneiro do jazz europeu e o pai do Swing cigano. A sua versatilidade foi ainda mais admirada, já que teve de se superar perante uma terrível adversidade: a perda parcial da sua mão esquerda no decorrer de um incêndio em 1928. Desde a sua morte em 1953, a música e o estilo único de Django Reinhardt, tem inspirado os maiores guitarristas do mundo de Blues, Jazz, Pop, Country ou Rock, como Jimi Hendrix, Jimmy Page, Carlos Santana e Eric Clapton.

A exposição “Jazzbandista” em cartaz de 29 de abril a 5 de maio, na Sala Estúdio, apresentou uma seleção de documentos que fazem parte de uma coleção de composições, apontamentos e anotações que datam da primeira metade do século XX. Um conjunto de incríveis manuscritos, transcrições de peças e excertos musicais para diferentes instrumentos onde se verifica uma clara relação com a notação da música Jazz. Documentos únicos que fazem parte de uma coleção privada cheia de memória da história e do imaginário da cultura popular e da vida da região de Águeda. Na primeira metade do século passado a presença do Jazz em Portugal verifica-se por todo o país. A denominação dos grupos conhecidos por “jazzes” e as alcunhas de “jazzbandistas” aos seus músicos, comprovam a sua existência ainda hoje relatada. Neste período a música com swing e os ritmos sincopados não faziam apenas parte dos contextos culturais das grandes metrópoles, existiam também por diferentes zonas, muitas vezes associados ao contexto da música filarmónica, rica em instrumentos de sopro.

Os apaixonados por este género musical puderam ainda usufruir das “Oficinas de Jazz Musical”, nos dias 2 e e 3 de maio, na Sala Estúdio/Exterior do CAA, podendo experienciar exercícios de voz, interpretação e técnicas de Jazz Dance. Os participantes foram convidados a trabalhar a sua coordenação motora, noções espaciais, alongamento e flexibilidade.