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Como sobreviver à crise dos 20 anos?

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20 Fevereiro 2018

Nota: Este artigo foi escrito pelos voluntários europeus que se encontram na cidade em Erasmus através do Centro de Juventude de Águeda.

 

Finalizar os estudos, encontrar um trabalho, começar uma família, comprar um carro e talvez uma casa, reformar-se. Isto é mais ou menos o que a sociedade espera de nós. Mas o que acontece se algo correr mal?
O que acontece depois dos estudos é que há mais perguntas do que respostas: O que é que ando a fazer? Deverei ir para o estrangeiro? Por que é que não fiz Erasmus? Por que é que estudei isto? Deveria ter mudado de área ou estudado mais? Será hora de me estabelecer na vida familiar? Por que não viajei mais? Sou muito jovem para me arrepender da minha vida, mas muito velho para cometer erros e desperdiçar o tempo.
Esta situação é chamada de "crise de quarto de vida" (CQV), definida como o período entre os 20 e os 30 anos. Um estudo da Universidade de Greenwich, Londres, em 2013 percebeu que quase 90% dos "Millenials", pessoas nascidas entre 1981 e 1995, sofrem com este problema.
Por que é que nos sentimos tão vazios, inseguros e ansiosos com o futuro? Existem respostas diferentes.
Em primeiro lugar, porque fomos criados em um contexto seguro, onde o sistema económico era estável e se desenvolvia rapidamente. Agora, somos jovens, prontos para o mundo do trabalho, mas sem chance, encontrando uma situação de recessão económica e insegurança, completa com a ameaça de terrorismo, uma crise de imigração e governos instáveis.
Em segundo lugar, nossa reputação como a geração com maior ansiedade está enraizada na nossa constante interconetividade. Facebook, Instagram, Whatsapp etc., todos nos dão a impressão de que o mundo é pequeno. Eles são espaços para socializar facilmente com os nossos amigos, bem como oportunidades para as empresas. Apesar disso, a verdade é que eles reduziram o nível efetivo de interação humana e nos bombardeavam diariamente com notícias alarmantes. O resultado é mais isolante e deprimente, deixando-nos solitários e infelizes.
Outro problema são as expectativas colocadas sobre nós. Sentimos-nos pressionados quando fomos criados para ser ambiciosos, para conseguir um bom trabalho e viver o que se entende como uma vida bem sucedida. A realidade é, naturalmente, que não sabemos o que queremos. Estamos a caminhar pelo nevoeiro enquanto tentamos estabelecer uma carreira.
No entanto, o maior inimigo é o tempo. É possível sentir-se velho quando estamos apenas nos 20? Sim.
Navegando pela internet, encontrámos uma série de artigos com títulos como "20 coisas a fazer antes dos 30", "Se não fizeres isto agora, vais arrepender-te 10 anos depois". Estes artigos deviam ser confortáveis, mas, em vez disso, eles simplesmente nos geram mais ansiedade. Enquanto estamos a fazer o nosso melhor, nunca parece ser suficiente.
Uma viagem poderia ser a solução. Então, um dia, fizemos as malas, dissemos adeus aos pais, amigos e problemas. Começámos a viver no exterior. Tentámos aproveitar as oportunidades que a União Europeia nos oferece, como o SVE (Serviço de Voluntariado Europeu) em Portugal.
Se nos sentimos melhor? Claro! Esta é uma ótima experiência, provavelmente a melhor da nossa vida e estamos a crescer como pessoa, a desenvolver novas habilidades, a aprender um novo idioma e a fazer novos amigos. No entanto, ainda existe algo como uma sombra. A ansiedade lembra que é inútil tentar escapar à crise, pois sempre nos seguirá. Precisamos de encontrar o nosso lugar no mundo, mesmo que seja só vender cocos na costa brasileira.
Então qual é a solução? Ainda a procuramos. Se alguém souber a resposta, contactem-nos. Uma coisa é certa, assim como as pessoas que vieram antes de nós, vamos sobreviver a isto!

Johannes Schranz, austríaco de 19 anos
Nicolas Casablanca, espanhol de 24 anos
Ronja Stief, alemã de 22 anos