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Choque de culturas - Diferenças culturais e sociais entre Portugal, o novo lar, e os nossos "antigos" países de origem

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06 Fevereiro 2018

Nota: Este artigo foi escrito pelos voluntários europeus que se encontram na cidade em Erasmus através do Centro de Juventude de Águeda.

 

A sensação de um choque cultural pode ser diferente para todos. A definição que encontramos no dicionário descreve o choque cultural assim: "Um estado de perplexidade e aflição experimentado por um indivíduo que de repente é exposto a um ambiente social, cultural novo, estranho ou estrangeiro".
No nosso projeto de Serviço de Voluntariado Europeu (SVE), somos 4 pessoas de 4 países diferentes que vivem juntas num país que é novo para todos nós. Viemos de Espanha, Itália, Áustria e Alemanha. Dependendo do país de onde viemos, podemos encontrar mais ou menos semelhanças e/ou diferenças nos nossos próprios países. Todos temos uma coisa em comum que é gostar de Portugal e das suas tradições, modos de vida e das pessoas amigáveis.
Os voluntários que vieram de Espanha e de Itália têm um sentimento mais forte de estar em casa porque acham muitas coisas que lhes relembram a sua casa. Os voluntários que vieram da Áustria e da Alemanha não têm tantas semelhanças e têm que "construir" uma nova casa neste país. A cultura do Sul é muito diferente do Norte. A primeira diferença já começa na forma como os portugueses se cumprimentam: dão 2 beijos na bochecha. Este tipo de saudação não acontece na Alemanha ou na Áustria, onde é normal apertar a mão ou dar um abraço apenas aos amigos íntimos. Os portugueses tendem a ser realmente simpáticos, abertos a estrangeiros e pessoas que não conhecem.


Na rua, as pessoas aproximam-se de nós e começam uma conversa quando têm curiosidade, nem que seja só porque falamos outro idioma. Principalmente os idosos fazem isso porque não conhecem outras línguas além do português. Na Alemanha, ninguém viria até nós só porque eles não conhecem o idioma, aliás as pessoas teriam medo ou vergonha de iniciar uma conversa. As pessoas germânicas tendem a observar à distância.
Ao mesmo tempo percebemos que é difícil estabelecer amizade com os portugueses. Isso é como nos países do Norte. As pessoas do Norte tendem a ser mais reservadas e frias, mas quando começamos a conhecê-las, são fáceis de se fazer amizade. Os portugueses tendem a permanecer no seu círculo de amigos e preferem ter uma relação de simpatia que não se aprofunda. A nossa perceção é que os jovens tendem a afastar-se emocionalmente porque sabem que os voluntários do SVE provavelmente só ficam por um certo período de tempo e depois vão embora novamente. É difícil ganhar confiança e sentir amizade por esse motivo. Os voluntários de Espanha e de Itália acham que é mais fácil nos seus países construir novas e profundas amizades.

Viver no estrangeiro é uma experiência pessoal marcante, porque implica observar, ouvir, fazer parte da cultura, do grupo, desenvolver atividades e viver numa nova cidade. A parte mais importante é entrosar num novo ambiente para realmente entender os valores e os pensamentos das pessoas que ali viveram toda a vida.


O choque cultural pode acontecer e provavelmente acontecerá devido ao fosso entre as nossas expectativas e a realidade no novo lar. Pequenas coisas como a nova maneira de trabalhar, viver com pessoas acabadas de conhecer, trabalhar com pessoas que falam línguas diferentes e ter diferentes origens culturais podem desafiar-nos e desafiar o modo de vida ao qual não estamos habituados. Mas aí descobrimos que podemos realmente adaptarmo-nos a novas situações. E se de facto nos entregarmos e dedicarmos um bocadinho de tempo para nos adaptarmos, acabamos por entender as novas formas de ser e estar. A paciência é a chave.


Um de nós pode facilmente sentir-se sozinho, porque não há aqui os hábitos familiares que tínhamos em casa. Precisamos de encontrar coisas novas que nos façam sentir seguros. Este é um dos muitos desafios. Além disso, é importante termos proximidade com as pessoas das organizações de envio e e de chegada, para que possamos conversar e desabafar. Por exemplo, o curso que fizemos à chegada, o On-Arrival Training e o Mid-Term Evaluation são sessões de formação e avaliação providenciadas pelas Agências Nacionais para todos os voluntários no país e isso ajuda-nos a encontrar proximidade.
Ter alguém para conversar é realmente importante para construir um ambiente em que os voluntários se sintam confortáveis e essa parece-nos ser a chave para passar de forma feliz esta experiência em Portugal.

Johannes Schranz, austríaco de 19 anos
Nicolas Casablanca, espanhol de 24 anos
Ronja Stief, alemã de 22 anos
Veronica Bellisario, italiana de 28 anos